Se você mora na zona rural ou se na sua cidade tem capivaras, você já deve ter ouvido falar que os carrapatos podem transmitir febre maculosa e outras doenças para humanos. Mas poucas delas são tão misteriosas como a síndrome alfa-gal, ou alergia a alfa-gal.
Quando pica um humano, o carrapato pode transferir uma molécula de açúcar chamada alfa-gal para a corrente sanguínea. Em algumas pessoas, a molécula desencadeia a síndrome alfa-gal, uma reação imunológica que começa com coceira, inchaço da garganta, sintomas gastrointestinais e o mais exótico dos sintomas: a anafilaxia tardia.
O corpo resolve que o carboidrato galactose-alpha-1,3-galactose, presente na carne de mamíferos não-primatas, é um inimigo a ser atacado. Na prática, é como se a molécula transmitisse uma alergia temporária a algumas carnes vermelhas, como as de bovinos, suínos e de cordeiro. Outros alimentos derivados de mamíferos não-primatas podem causar o mesmo efeito, como laticínios, gelatina e até alguns medicamentos, vacinas e cosméticos.
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Até recentemente, uma espécie era considerada a principal culpada: a Amblyomma americanum, ou carrapato estrela solitária. Mas um novo estudo do Centro para Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos revela que outras espécies podem transmitir a alfa-gal. Agora, sabe-se que os carrapatos do gênero Ixodes também desencadeiam a síndrome.
As espécies estudadas são nativas de diferentes regiões da América do Norte e da Europa. Já no Brasil, um estudo de 2015 da Universidade de São Paulo sugere que as nossas espécies locais – Amblyomma cajennense e Amblyomma sculptum – também podem estar relacionados ao quadro de alergia.
As autoras explicam que os médicos devem suspeitar de alergia a alfa-gal quando recebem pacientes que sempre conseguiram se alimentar de carne e derivados de mamíferos, e que de repente relatam coceira, inchaço, sintomas gastrointestinais, dor abdominal intensa e diarreia de três a seis horas após a ingestão desse tipo de alimento.
É importante investigar se os indivíduos vivem em áreas em que poderiam ser expostos às picadas de carrapatos, como na zona rural, ou se estiveram em contato com outros animais expostos. Testes de alergia e de antígenos podem confirmar o diagnóstico – que, felizmente, é temporário. Basta alguns meses ou poucos anos para que o paciente possa voltar para os churrascos – dessa vez, passando bastante repelente.
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