Uma festa realizada na noite desta quinta-feira, 20, marcou o lançamento da nova versão de
Nesse remake, Maria de Fátima será interpretada pela atriz Bella Campos. Ex-modelo, Bella fará sua terceira novela na emissora. A atriz tem recebido críticas nas redes sociais por sua atuação – despertadas pelas chamadas da novela que a emissora tem exibido. Apesar de sucinta nas respostas, Bella não fugiu aos questionamentos. “É como se essas críticas não existissem. Com crítica ou sem crítica, estamos trabalhando todos os dias, fazendo uma novela com muito amor”. A atriz nega que tenha sentido o peso da personagem, um dos mais emblemáticos da teledramaturgia. “Sinto o peso da dedicação”.
Bella já adiantou que Maria de Fátima terá atualizações. “Ela agora traz camadas dessa geração, como o movimento das redes sociais, as postagens, as dancinhas”.
Quem esteve mais aberta para falar sobre sua personagem foi Paolla Oliveira. Ela vai interpretar a artista plástica Heleninha, personagem que no passado foi de Renata Sorrah. Heleninha é filha da vilã Odete Roitman e sofre de alcoolismo. Paolla foi uma das atrizes mais procuradas pela imprensa.
“Em trinta anos (da primeira versão para cá) mudou muita coisa, mas o estigma da doença ainda é muito grande. O que vai me fazer feliz é trazer esse questionamento para um lugar mais profundo. Que consigamos enxergar as pessoas por trás da doença, que não é só força de vontade, não é falta de caráter”, disse.
Paolla foi bastante aplaudida pelos convidados quando suas cenas apareceram no clipe da novela exibido durante a festa. Questionada pelo Estadão se isso já mostra o resultado de seu trabalho, a atriz disse que estava nervosa na hora da exibição e que não percebeu os aplausos.
“Estava emocionada. Queria ver se estava tudo certo. Era uma Paolla mais crítica e menos espectadora. Ainda estou construindo a personagem”, disse.
Por falar em Odete, a intérprete dela, Débora Bloch, também foi uma das mais solicitadas pela imprensa. Paciente e sempre de bom humor, falou sobre a personagem. “Busquei no texto entender quem é essa mulher, e o que ela representa no Brasil de hoje”.
Débora disse que não tem como prever como o público vai reagir a sua versão para Odete – em 1988, ela foi interpretada por Beatriz Segall. “Agora, é um outro momento de Brasil e de mundo. Mas tem um lado que as pessoas sempre amam odiar as vilãs. Isso também é interessante”, disse. A personagem só entra em cena a partir do capítulo 24.
Menos aberto a falar sobre seu personagem estava o ator Alexandre Nero, que será Marco Aurélio, braço direito de Odete na empresa TCA e responsável por personificar a corrupção na trama. Questionado em que se inspirou para o personagem, ele respondeu: “No diabo”, sem dar chance a uma nova pergunta.

Cauã Reymond, que será o malandro César Ribeiro, cúmplice nas armações de Maria de Fátima, estava bastante animado na festa. De regata preta, da Saint Laurent, o ator brincou que já estava no modo César. Perguntado sobre o fato de aparecer de sunga nos trailers da novela, ele brincou se devia também vestir a sunga asa delta, sucesso nos anos 1980, que deixava parte da bunda de fora. “Mas não sou eu que mando no figurino”, disfarçou.
“As cenas são muito divertidas. Estou curtindo a dramaturgia, como ele se comunica com a Maria de Fátima, os pactos que eles têm”.
Cauã disse que ficou atrás de Carlos Alberto Riccelli, intérprete de César, na primeira versão, para “pedir a bênção”. “Tentei falar com ele nas redes sociais, mas não consegui. Procurei a Bruna (Lombardi), ela me respondeu. Falei com ele ontem: ‘Vou te pedir a bênção porque vou vestir seus sapatos, em um personagem que fez muito sucesso’”, disse. “Ele foi muito carinhoso. Disse que era para eu fazer o meu César”, contou.

Chamada ao palco antes da exibição do clipe de apresentação da novela, a autora Manuela Dias pediu uma salva de palmas para os autores Gilberto Braga (1945-2021), Aguinaldo Silva e Leonor Basséres (1926-2004), que assinaram a versão original, e para Denis Carvalho e Ricardo Waddington, os diretores da novela exibida em 1988. “Com licença de estarmos aqui”, disse.
Depois, Manuela se emocionou ao falar sobre o seu trabalho à frente do remake. “Ter o privilégio de escrever para vocês é emocionante”, afirmou segurando as lágrimas. “Estou dando meu melhor todos os dias para estar à altura do talento e da dedicação de vocês. Estou aqui para o que vocês precisarem. Juntos, até matar Odete Roitman”, disse, dirigindo-se à equipe da novela.
Em entrevista recente ao Estadão, Manuela disse que nessa nova versão de Vale Tudo pretende mostrar um Brasil “mais unido”. “Nós, formadores de opinião, erramos ao empurrar a direita para a extrema direita e a esquerda para a extrema esquerda. O Brasil é mais unido do que sentimos nos últimos anos. É nessa área comum que eu como autora quero investir”, disse.